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Abnegation of Desire

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#1 Abnegation of Desire em 23/9/2012, 4:11 pm

Dariks

Usuário Nível 6
Usuário Nível 6

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Gênero: Drama
Sub-gênero: Sobrenatural
Público Alvo: Seinen

Sinopse: Você acha que está preso em um ciclo vicioso da vida. Um ciclo ao qual você não consegue sair? Também assim se depara Adel, mas após receber uma encomenda ele ganha a chance de mudar isso.
Mas como já diziam os antigos: "Não há bonus sem ônus", ou melhor, Desejos vêm com abnegações...

Track One:


Página 1

Dedos brancos, magros e longos batem todos estrategicamente ágeis no teclado de computador. Na tela de computador é mostrada uma tabela com vários caracteres preenchendo todos os uns suas células.
O cursor de texto digita, em uma das células, uma palavra: “Ima...”... Apaga... “Ime...”... Apaga... “Imu...”... Apaga...
Revela-se uma parte de uma testa, e também um olho, que não podemos ver, porque um óculos cuja lente está refletindo toda a luz, está na frente dele. Um suor frio desce lentamente pela testa pálida do homem.

Página 2

O dedão do homem é levado bruscamente até a tecla “Enter” do teclado. Uma boca seca agora é revelada, ela faz um bico, e logo solta um sopro fraco e curto.
“Sabia que sua vida pode ser mudada em questão de milésimos de segundos?”
A mão de dedos brancos longos e magros põe-se a digitar freneticamente novamente.
“...Trabalho nessa empresa há alguns anos...”
Mostra-se o homem, mas de costas, com uma blusa social, sentado em uma cadeira. Suas costas são ligeiramente curvadas, e ele digita olhando para um computador. Na sua mesa têm alguns papéis, clips, canetas, etc. E também uma plaquinha escrita: “...” Não dá pra ver o que está escrita porque ele está com o cotovelo na frente.
“Não sei exatamente o que eu faço, acho que preencho tablas e formulários no computador...”

Página 3

Passa uma mulher no corredor do lado da cabine onde ele está. Ela entrega alguns papéis na mesa dele. Ele a olha. Mas só podemos ver ainda as costas dele.

- Eh... Obrigado... – ele diz encarando a mulher.

O rosto dele é revelado agora. Ele esboça um sorriso meio sem graça e seu rosto não é tão magro. Abaixo de seus olhos podem-se ver claramente olheiras. Ele parece tenso com a situação... Ou será só o calor?
A mulher o encara por uns segundos e continua andando.
Ele expira de alívio.
No crachá dele está escrito: “...”, não dá pra ver também, o crachá é de metal e a luz reflete impossibilitando de vê-lo agora.
Ele retorna o rosto pra a sua mesa. Olha a pequena pilha de papéis que a tal mulher entregou-lhe

- Por que eu agradeço por mais trabalho?... – pensa alto.
Fecha os olhos e expira novamente.

Página 4

Ele se põe a digitar novamente.
“Não é como se eu quisesse trabalhar aqui, não, eu não quero. Mas agora não há tempo pra mudar isso. Ok, eu sei que tenho só 28 anos, tenho muito a viver ainda... ou não...”.
Ele se espreguiça.
“Basta eu querer mudar agora e eu posso. Não é que eu não queira, muito menos como se eu nem tivesse tentado. Eu tentei.”
Ele põe-se a digitar novamente
“Todos os dia antes de dormir eu digo a mim mesmo que eu acordarei e farei algo para mudar toda essa minha situação; faço planos, durmo com lágrimas nos olhos pensando o quão bom será o meu próximo dia...”.
Ele pressiona o “Enter”.

- Ah, acabei essa, vamos para a próxima... – diz ele

Página 5

“E então meu relógio desperta às 6 horas em ponto e tudo aquilo que eu pensei e planejei, é deixado no meu dia anterior...”
Ele começa a digitar de novo.
“A verdade é que eu me acomodei.”
“A única coisa que me impede de mudar de emprego, mudar de vida, é a acomodação. Eu...”.

Ele é interrompido.

Página 6

- E ai, Adel? Trabalhando muito? – diz o homem que acaba de chegar.
- Droga, Agnel... Esse cara, não larga de mim. É mais fácil eu esquecer minha própria existência do que ele a minha... – pensa Adel ainda olhando para o monitor.
Adel, o homem que agora a pouco digitava um formulário, respira fundo e olha para o tal que acabara de aparecer.
- Oi, Agnel. Quer algo? – diz Adel com uma expressão de abnegação e com uma voz meio que desanimada.
- Calma irmãozinho, vim só ver como meu antigo colega de trabalho tá, sabe eu senti muitas saudades depois que eu fui promovido e mudado de andar... – diz Agnel com um sorriso estampado no rosto.
- A melhor coisa que me aconteceu em todos esses anos que eu trabalho aqui, foi sua promoção, que me livrou de você... – diz Adel mentalmente.
- Sabe depois que eu fui promovido, eu passei a trabalhar 1 hora a mais que vocês, mas o bônus no salário compensa, e muito! – se gaba o Agnel – E eu tenho uma novidade para te contar.

Página 7

Adel presta mais atenção.

- O quê? – diz Adel com certo desânimo
- Pedi para me transferir de volta para cá – termina por dizer Agnel.
- M-mas o que?! – diz surpreso Adel – Por que você fez isso?! – Adel diz muito surpreso
- Sim, pois é... Voltei para a companhia de vocês. Irei supervisionar este andar da empresa.
Adel está surpreso e assustado com a notícia.
- Espero que goste da minha presença aqui de novo... – diz Agnel com um sorriso sarcasticamente maldoso...

Adel fica em choque.

Página 8

- Adel! Adel! – grita alguém

Adel se vira e vê seu amigo. Melhor, melhor amigo.

- Já deu a hora, ou vai ficar pra fazer hora extra? – continua o amigo sorrindo.

Adel sorri também

Dentro do elevador...

Adel e seu amigo em pés lado a lado. Ambos carregam uma bolsa, que me parece ser fornecida pela empresa aos seus funcionários. Só estão eles dois.

- Obrigado, Erich... Você me salvou desta, cara... – diz Adel a seu amigo.
- Hehe, eu percebi que o Agnel tinha chegado e foi diretamente a você, e comecei a me preocupar. Pelo que sei ele é a pessoa que você seria capaz de matar sem hesitação... – diz Erich
- Sim... Esse cara me inferniza desde que entrou na empresa. Quando ele foi mudado de andar eu achei que finalmente iria viver em paz... E agora essa... Não sei se eu vou sobreviver...
- Haha tenta usar um perfume diferente.
-? – Adel olha para Erich com uma expressão de confusão.
- Esse cara deve gostar do seu cheiro.

Dois segundos de silêncio se passam eles encarando.

Página 9

Os dois caem na gargalhada.

- Vou tentar... – diz Adel limpando as lágrimas dos olhos causadas de tanto rir.

Diferente de Adel, Erich tinha a pele rosada, talvez por pegar mais sol. Tinha cabelos castanhos escuros e curtos. Olhos verdes.
Uns cinco segundos se passam em silêncio.

- Ah, e como vai a sua esposa, Erich? De quantos meses ela está? – pergunta Adel
- Oh sim! Ele tá bem, 7 meses já! – responde Erich
- E a pequena Emma? Já têm 3 anos né?
- Oh, sim, vai fazer 4 mês que vem. Aqui, eu tenho uma foto delas. – Erich enfia mão dentro do bolso e tira uma carteira marrom de couro.

De dentro da carteira ele tira uma fotografia. Onde a esposa dele grávida, sentada em uma cadeira, sorri junta à sua filhinha, Emma, sentada ao colo da mãe. Ambas, mãe e filha são loiras, mas esta têm cabelos curtos, e aquela, cabelos longos.

Página 10

Erich segura a foto mostrando-a a Adel.

- Olha como a barriga dela está grande! – diz Erich sorrindo e Adel junto. – E olha Emma, tão grande, acredita que ela já sabe somar e subtrair?!

Os dois riem.

- E ela já sabe falar tudo, aprendeu a jogar xadrez! Imagine só! As professoras não têm uma única reclamação dela... – vai dizendo Erich

Adel olha para o rosto de Erich, o qual continua a falar alegre, olhando a foto.

- Ele é realmente feliz... – pensa Adel.

Página 11

Eles saem do prédio da empresa. Erich toma o caminho da esquerda e Adel o da direita. Eles se despedem.
Adel desce vai descendo a rua.

- Acho que posso dizer que a vida de Erich é feliz. Desde o colegial tudo o que ele queria era um emprego estável, uma esposa e filhos. E ele conseguiu, e eu fico feliz por ele... – pensa consigo Adel

Ele olha para o céu nublado.

- O interior daquela empresa é realmente quente, independente do ar-condicionado. Achei que aqui fora estava sol, mas o clima está frio e nublado... – pensa alto ele olhando o céu.

Passa um velho de lambreta subindo a rua.

Página 12

Adel volta a olhar para frente.

“Como eu ia dizendo, mesmo eu não gostando da minha vida, eu estou preso à acomodação dela.”

Um homem cortando a grama do quintal acena para Adel, que retribui gesto.

“Trabalho há anos na mesma empresa, no mesmo cargo. Ganho o suficiente para sobreviver. Além de que eu trabalho apenas a dois quarteirões da minha casa, não gasto com transporte, nem preciso acordar muito cedo para trabalhar e muito menos preciso comprar um carro, ou algo do tipo...”.

Adel chega a um portãozinho de uma cerca. Ele abre o portãozinho que dá para dentro de um quintal pequeno de uma casa espremida entre outras duas casas medianas.
Ele anda em direção à varanda da pequena e alta casa de madeira, que não aparentava muita velhice, e apesar de pequena parecia estar em bom estado e que por dentro era maior que por fora.
No quintal já não havia grama verde, apenas uma amarelada e areia. Tinhas algumas plantas e flores plantadas. A maioria morta.

- Olá, senhor Adel! – diz uma velhinha, a vizinha do lado esquerdo.
- Oi, senhora Bruehl. Como a senhora vai? – pergunta Adel
- Vou muito bem – diz a velhinha com um sorriso simpático.

“Essa é minha ‘vizinha esquerda’, a senhora Bruehl. Ela é viúva. Perdeu seu marido há anos e teve que criar 4 filhos pequenos. Perdeu um em um acidente de carro, e os outros saíram de casa. Não os vejo visitando-a há muitos anos... Sempre foi simpática comigo desde que moro aqui. Há vezes que do meu quarto, que tem uma das paredes grudadas ao do quarto dela, eu ouço um soluçar de choro... Acho que ela é daquelas pessoas que choram dormindo... Por trás deste sorriso simpático há escondidas lágrimas de sofrimento...”

Página 13


Adel já ia subindo as escadas de madeira da varanda, quando foi chamado pelo vizinho do lado direito.

- Hei, Adel! – diz o vizinho
Adel recua e olha por cima da cerca baixa, o vizinho.
- E ai, como vai Sr. Eduard? – diz Adel
- O carteiro veio mais cedo, à sua casa, entregar um pacote que precisava de sua assinatura, ele disse que voltará amanhã... – diz Sr. Eduard
- Ah, ok, obrigado por me dar o aviso...! – agradece Adel e ameaça a continuar seu percurso que fora interrompido.
- Ei rapaz – Adel volta para ouvir o que Sr. Eduard tem a acrescentar - Não vá se acostumando e achando que eu vou ser seu garoto de recados, não... Eu conheço os do seu tipo, Adel... – diz rancorosamente Sr. Eduard e logo cospe no chão.
- O-ok... – responde Adel meio sem compreender.

Página 14

O homem tinha uma expressão brusca e já possuía cabelos grisalhos, mesmo tendo por volta dos 50 anos de idade.

“Esse é o meu ‘vizinho direito’, Sr. Eduard. Dele não tenho muito à falar, sei nada sobre. As únicas coisas que digo é que diferente da Senhora Bruehl, ele é nada simpático, sim bastante mal humorado e estressa-se facilmente. Por volta das 22:00 horas, todos os dias, ele tem uma discussão com a sua esposa. E também todos os dias às 3:30 da manhã, o único filho deles, o qual têm acho que minha idade, chega em casa bêbado, mas nunca ouvi confusão por causa disso...”

Adel se dirige a sua casa, enfia chave na porta e a abre fazendo certo esforço.

- Uff! – diz ele ao entrar em casa, tirando os sapatos.

Adel fecha com a chave, e também com uma correntezinha.
O que antes eu dissera, acaba de ser contradito. O interior da casa é tão pequeno quanto aparenta por fora.
A porta dá direto numa minúscula saleta onde há uma escada de madeira subindo ao segundo andar. Na parede do lado esquerdo desta saleta, há uma porta que dá caminho a uma cozinha pequena, onde há geladeira, fogão, pia, e ao meio desta cozinha uma mesa quadrada com duas cadeiras. Tudo em ótimo estado.
Adel repousa a chave em cima de uma prateleira presa em uma das paredes da saleta.

Página 15

Vai até a cozinha, põe sua bolsa sobre a mesa, abre a geladeira, tira uma maçã e a come.
Adel sobe as escadas lentamente.
As escadas dão diretamente em um quarto, com uma cama, um guarda-roupas, um armário, uma janela guilhotina, e uma porta. Todos de madeira, como tudo na casa. A limpeza é algo bem notável, pois está impecável cada canto da casa.
Adel se dirige a porta que dá acesso a um banheiro de espaço suficiente.
Adel toma um banho e sai do banheiro enxugando o cabelo com uma toalha. Ele está de calça moletom cinza e sem camisa. Nota-se claramente sua magreza ao ver os contornos das costelas sob a pele.
Ele termina de secar-se, põe uma camisa branca, pega o controle remoto da TV, a qual é bem pequena, joga-se na cama e pressiona o botão do tal controle que faz com que televisão ligue.

Página 16

A TV tem a imagem péssima.

- Arf... – esboça, ele.

Adel se levanta, mexe na antena...
Passam-se 30 minutos e nenhum progresso na aquela batalha com a TV.

- ****** de televisão! – ele lança o controle dela no chão.

Adel se joga novamente na cama.

- Amanhã isso tudo vai mudar... – pensa alto.

Ele fecha os olhos.
O despertador toca, 6:00. Adel acorda, e o desliga.
Senta-se na cama, leva as mãos ao rosto, respira fundo e diz:

- Vamos lá... Escravo da rotina...

Página 17

Adel desce as escadas já trajando sua roupa usual de trabalho. Ele já está com a bolsa.
Pega a chave que está em cima da prateleira.
Abre a porta e ameaça a sair.
Ele interrompe o passo, e olha para o chão de madeira da pequena varanda.
Há um embrulho. Tinha o tamanho de aproximadamente 100 cm x 70 cm... Havia também um bilhete em cima.

- Uhm... Deve ser o tal pacote ao qual o Sr. Bernard se referiu... – pensa Adel – Mas ele disse que necessitava da minha assinatura...

Página 18

Adel olha o relógio.

- ******! Vou me atrasar! – diz ele aflito
Adel pega o tal embrulho, com bastante cautela e o põe em cima da mesa da cozinha. E logo sai correndo de casa.
As horas se passaram. O pacote continuou ali, intacto, só não digo que no mesmo lugar, se considerarmos a rotação da Terra...
Logo Adel volta em casa.

- Ah! Trabalhar com o Agnel é a pior das torturas... Se fosse usada como forma para me fazer liberar uma informação, eu a dizia na hora... – diz Adel sozinho.
Repete o de sempre: tranca a porta, tiram os sapatos, guarda a chave, põe a bolsa sobre a mesa, abre a geladeira, tira uma maçã e a come...
Enquanto ele come, nota em cima da mesa o embrulho, e lembra-se do ocorrido de mais cedo.

- Ah, é verdade... – diz ele com a boca cheia.

Página 19

Adel pega o bilhete e lê o que há escrito nele.

“Espero que goste”

- “Espero que goste”, humpf! – lê, ele. – Quem enviou isso? Não tem remetente... – diz Adel examinando o bilhete.

Adel pega o embrulho e sobe as escadas, o leva para seu quarto, no segundo andar.
Ele desembrulha e revela o que tem dentro. Pra sua surpresa, o tal objeto, parecia possuir ele. Ou melhor, possuía seu reflexo.
Era um espelho.

- Um espelho?! Quem me enviaria um espelho? Nem mesmo encomendei um... – diz Adel
Ele termina de tirar todo o embrulho.
Examina a moldura dourada. Há caracteres esculpidos nela.
- Uhm... – diz ele passando o dedo sobre os caracteres em alto relevo -... Parece-me grego, ou algo assim...

Página 20

Ele pega e põe o espelho em pé, encostado na parede, sobre o armário.

- De qualquer forma vou ficar com ele. Não tenho muitos espelhos porque quando me olho em um, me lembro de quem sou... – reflete ele. – Mas já tá na hora de mudar...
Adel se olha no espelho. Começa a passar a mão em torno do rosto.

- É... Eu acho que está já na hora de fazer a barba. Ela demora pra crescer então há vezes que me esqueço de fazê-la... – pensa alto

Adel se vira para ir ao banheiro. Põe a mão na fria maçaneta da porta...
“Adel”, ele ouve uma voz familiar, muito familiar.
Adel solta à maçaneta. Olha para a janela. Olha para a porta. A fim de achar a origem da voz.

- Minha imaginação? – se pergunta Adel

Página 21

Adel olha para o teto.

- Ora, agora... Basta eu falar sozinho e agora ouço vozes... haha – diz ele rindo.
Adel olha para o espelho. Encara-se por uns 13 segundo.
- O que você se tornou? – pergunta ele ao seu reflexo.
2 segundos se passam.
- Aquilo que escolheu ser... – responde o reflexo.
Sim, o reflexo responde, e não é uma personificação. A boca do reflexo se moveu, transmitiu fonemas, sem nem mesmo o original ter mexido um único músculo do rosto.
Adel se surpreende. Esfrega os olhos em um movimento clichê de incredibilidade e volta a olhar o tal reflexo de si. O qual esboçava um sorriso estritamente irônico.
- Ma-mas, o quê?! – diz Adel com o rosto completamente surpreso.

Página 22

Adel se aproxima mais do espelho.

- Eu devo ter enlouquecido! – diz ele – O reflexo...
- Olá, Adel... – diz o reflexo.
- Quem diabos é você? Como foi que fez pra projetar uma imagem e voz idênticas a minha nesse espelho?!
- Ao contrário do quê pensas, eu não sou um truque de mágica barato, e muito menos uma projeção de tecnologia avançada. – diz o reflexo sério

Adel endireita a postura, e tenta se recompor.

- Uhm... – tenta se concentrar Adel – O quê você é então?!?! – grita Adel se descontrolando.
- Calmo amigo!
- Que calma o quê?! O que você é? – diz Adel nervoso e assustado com a situação
- Seu reflexo

Página 23

- Disso eu já sei. Mas... Qual o seu nome?
- Adel, ora essa...
- Hã?! – Adel expressa mais surpresa e menos conformação – Ah meu Deus, eu estou conversando com o meu reflexo... – diz ele a si mesmo. – Não tem como eu te chamar pelo meu próprio nome! – berra ele.
- Então me chame de “Leda”*! – diz o reflexo animadamente irônico. (*“Leda” seria “Adel” escrito ao contrário.)
- E agora essa... O reflexo tem senso de humor e faz piadinhas... – diz ainda mais confuso, Adel – Isso só pode ser uma alucinação... Talvez seja a volta do Agnel que tenha me perturbado um pouco... Logo, logo, isso vai sumir... – tenta se justificar Adel.
Eles, Adel e seu reflexo, se encaram por uns segundos.

Página 24

- Então Adel... Você têm direito a 6 pedidos. – diz o reflexo, Leda.
- Hã?! – diz Adel tomando um susto
- Você têm direito a 6 pedidos – repete Leda.
- Eu entendi... Mas o quê quer dizer com isso...?
- Que você pode me fazer 6 pedidos e eu os realizarei...

Adel olha com uma expressão de hesitação.

- Então... Você é um “Gênio do Espelho”?...
- Parcialmente... Chame-me do que quiser... – diz Leda
- Você só pode estar de brincadeira comigo... Essa minha alucinação já está passando dos limites...

Eles se encaram por exatos 4,5 segundos.

- Se não quiser, é só embrulhar o espelho novamente e deixá-lo à porta de alguém... – diz Leda, com uma expressão séria.

Página 25

Adel olha meio assustado para o reflexo autônomo dele.
Agora Adel fecha os olhos, inclina um pouco a cabeça para baixo e dá um sorriso...

- Ok, então eu quero uma televisão nova. – diz Adel com um tom irônico, olhando bem na cara de Leda. – Mas tem da ser daquelas novas, sabe? Tela plana, 3D e tudo mais...
- Uma televisão? – diz Leda com desânimo – Seu primeiro pedido é uma televisão? – ele acentua o desânimo ao dizer “televisão”.
- Sim, uma televisão... Ou você não consegue?

Leda esboça um sorriso irônico. Cruza os braços.
Adel olha atentamente para leda em seu gesto. Adel pisca, sabe a escuridão que você vê por centésimos, ou talvez, milésimos de segundo quando você pisca? Foi o suficiente. Foi nesse ato natural humano que aconteceu.

Página 26

Adel piscou, quando abriu, Leda já trajava outra roupa, era uma camisa listrada, azul e branca, um short marrom e curto, uns chinelos, óculos escuros, e uma cartola branca.
Ele tinha seu sorriso sarcástico comum.
Adel se surpreende com a mudança.

- M-mas, o que...?! – diz Adel surpreso.

Leda, ainda sorrindo, com uma das mãos aponta para o lado. Adel olha.
E no lugar da pequena televisão, estava a tal televisão que Adel descrevera.

- Não brinca?! – diz ele surpreso

Adel olha assustado para Leda e depois para a televisão novamente.
Adel repete o mesmo gesto que fizera há alguns minutos. Inclina a cabeça para baixo, e dá um sorriso, mas agora com uma expressão assustadoramente assustada...

- Então... – diz ele
Leda presta mais atenção

Página 27

- Eu vou dormir... – diz ele relaxando e indo em direção à cama – As alucinações estão pesadas hoje, amanhã eu vou num médico, porque isso não é normal...

Leda se decepciona.

- Gute Nacht* e durma bem alucinação – diz Adel e logo se deita à cama – Amanhã eu vou me livrar desse espelho... Já me deu muita cabeça por hoje – diz ele a si mesmo; desliga o interruptor que fica perto da cabeceira de sua cama. (* “Gute Nacht” seria “Boa Noite” em alemão)

O despertador toca, 6:00. Adel acorda, e o desliga.
Senta-se na cama, leva as mãos ao rosto, respira fundo e diz:

- Vamos lá... Escravo da rotina...
Ainda sonolento, Adel, se levanta e anda até o espelho. Aproxima o rosto do vidro.

- É, as alucinações de ontem foram totalmente insanas... Eu me pergunto, tudo aquilo aconteceu enquanto eu estava acordado ou dormindo? – Adel, com expressão de dúvida, diz fazendo com que o espelho embace devido a milhares de partículas de saliva que ele expeliu enquanto falava.

Adel se estica e espreguiça.

- Como se meu reflexo no espelho pudesse realizar meus desejos... – diz ele com fazendo uns alongamentos. – Ah, é verdade... A tele... – ele para de falar quando se vira para sua televisão.

Página 28

Sim, ali há a televisão nova, grande, de tela plana e 3D.
Adel olha surpreso.

- O que?! Mas, a alucinação e, o... o... – diz ele confuso.

Adel corre até o espelho e olha seu reflexo atentamente. Com o rosto próximo novamente.

- Vai... Diz algo! – fica falando, Adel, a seu reflexo – eu sei que você está ai! – grita ele.

Adel segura com as duas mãos o espelho e dá uma sacudida nele.

- Eu sei que você está ai!! Não brinque comigo!! – grita já nervoso, Adel
- Calma amigo... – diz finalmente o seu reflexo nomeado de Leda.
- Aaaaaaaaaaaaahhhhh – berra Adel se assustando

Adel dá um salto para trás e cai no chão.

- Adel! Está tudo bem ai em cima? – grita de fora a Senhora “Vizinha Esquerda”
- Não, digo, sim, está tudo bem, é que tinha uma... uma... uma barata aqui – diz ele correndo a janela explicando para a senhora.

Página 29

Ele volta à frente do espelho.

- Guten Tag! – diz Leda ironicamente (*Guten tag” é “Bom dia” em alemão)
- Olha seu! – diz Adel apontando o dedo para Leda, muito nervoso
- Você vai se atrasar – diz leda com um sorriso sarcástico habitual

Adel olha para o lado e vê que já são 6:54

- Como o tempo passou tão rápido assim? – diz Adel meio em choque
- Que tal, “Mais Tempo” como segundo pedido?
- Pedido?

Adel tem uma flash de me memória em que Leda diz “6 pedidos”.

- Não tenho tempo pra isso, estou atrasado! – Adel pega um monte de roupa e vai se vestindo e andando em direção à porta do quarto - Não vá a nenhum lugar... Como se pudesse - diz Adel dando uma risadinha por final e saindo quarto.

...

Página 30

No escritório, tudo muito barulhento, pessoas trabalhando em suas “cabines” e outras passando com papeladas na mão.
Adel em sua cabine, digitando formulários...

- Que calor – diz ele passando a mão na testa e secando o suor. Ele estava de óculos.

Então de repente ele para. Olha por cima das paredes da cabine. Olha para um lado e outro procurando algo ou alguém.
Senta-se.

- Estranho... – diz ele pensativo – Ele não é de faltar... Ah, mas ****-se, hoje vai ser mais fácil e tranquilo de trabalhar sem ele.

Dada o horário do almoço; Adel e Erich almoçam juntos na praça de alimentação da empresa.

- Cara, o que houve com o Agnel? Adoeceu? Morreu? Ele não é de faltar, ganha prêmios e tudo mais de assiduidade e blá blá blá...
- Agnel? – pergunta Erich levando uma garfada à boca.
- É. Sabe o cara chato que faz da minha vida profissional um inferno?
- De quem você tá falando, ficou louco?

Página 31

- Ah, vai falar que não se lembra do Agnel, a gente tava falando dele ontem mesmo. Sabe o chato que voltou pro nosso andar?
- Cara, nunca ouvi falar desse ai... Tô achando que você está endoidecendo, você devia é arrumar uma mulher, tá te fazendo bem viver sozinho não hein! – diz Erich apontando o garfo para o rosto de Adel, e dizendo com um sorriso saliente no canto da boca.
- Ah, para com isso. Vai dizer que não se lembra do **** do Agnel?!
- Não, cara. Ninguém nunca com esse nome trabalhou aqui na empresa.
-?
- Arney! – grita ele Erich para um homem estava passando – Você conhece algum “Agnel” aqui da empresa?
- Nunca ouvi falar – diz Arney e continua andando
- Te disse – diz Erich enfiando o garfo na boca novamente.

Página 32

Adel olha fixo com os olhos arregalados
Levanta-se meio alterado.

- Ei, cara, que foi? Senta ai. – diz Erich

Adel olha assustado para um lado e para o outro.

- Que tá havendo? Você tá muito estranho hoje, pode me contar, eu sou seu amigo – tenta consolar Erich.

Adel sai correndo meio desesperado.

- Ei! Adel! Aonde você vai?! – grita Erich se levantando da cadeira.

Ele fica olhando o amigo correndo com um olhar preocupado.
Adel chega correndo dentro do banheiro, esbarra em um homem gordo na porta.
Adel está agora sozinho dentro do banheiro. Ele chega à pia e lava o rosto.

- O que está havendo? – diz ele olhando para o espelho – Ninguém se lembra do Agnel... – diz ele muito apreensivo – É como... É como se ele nuca tivesse existido... – completa ele, falando sozinho.
Passam-se alguns segundos.

Página 33

Entra um homem barbudo dentro do banheiro, Adel percebe sua presença. Lava o rosto mais uma vez e sai do banheiro às pressas.
...
Adel chega ao quintal de casa, e ignora todos os “olás” dos vizinhos. Entra em casa. Tranca apenas a porta e sobe as escadas correndo.
Entrando no quarto, ele larga a bolsa no chão e chega ao espelho.
Leda estava a lixar as unhas, sentado em uma cadeira que só existe no espelho.

- Me diz o que você fez? O meu colega de trabalho desapareceu e ninguém se lembra dele a não ser eu! – diz ele um pouco nervoso, mas sem aumentar muito a voz.
- Ah, isso? – diz Leda se levantando com um ar despreocupado. – É a abnegação...
- Abnegação? – diz Adel confuso.

Página 34

- Sim. O antônimo de desejo. – diz Leda, ainda despreocupado lixando a unha. – Mas pra você entender melhor, eu diria “Para todo bônus há um ônus”...

Adel vai andando para trás e encosta na parede.

- Então você está dizendo que por causa do meu desejo o Agnel deixou de existir? – pergunta Adel, olhando assustado para Leda
- Exato – diz leda olhado para as unhas enquanto as lixa, despreocupado com a situação.

Adel desliza na parede até sentar no chão.

- Na verdade, isso até que me soa como um Bônus extra... Viver sem o Agnel, hã... Nada mal haha... – diz Adel ainda assustado olhando para o chão, mas agora com um sorriso no rosto. – Mas então...
Ele olha agora para Leda.

- Então... A cada pedido que eu fizer uma pessoa vai deixar de existir nesse mundo? – pergunta Adel com uma voz compreensiva.
- Sim – diz Leda ainda olhando pra a unha sendo lixada.

Página 35

- A Abnegação do Desejo... – diz Leda olhando assustadoramente sorridente, para Adel.
Adel olha para assustado para Leda.
Leda o encara com um sorriso maldoso.



Última edição por Dariks em 24/9/2012, 8:24 pm, editado 1 vez(es)

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#2 Re: Abnegation of Desire em 24/9/2012, 11:16 am

konor

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parabens pela historia pelo que eu vi voce descreve bastante o cenario dessa historia.
depois eu vou avaliar ok

edit:a escrita e muito boa mesmo porem parece mais um livro doque um historia.


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#3 Re: Abnegation of Desire em 24/9/2012, 3:24 pm

Dariks

Usuário Nível 6
Usuário Nível 6

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animeslog escreveu:parabens pela historia pelo que eu vi voce descreve bastante o cenario dessa historia.
depois eu vou avaliar ok

edit:a escrita e muito boa mesmo porem parece mais um livro doque um historia.

Vlw cara...É, falaram bastante isso, que ficaria melhor como livro, eu tbm acho pq é uma hist mais pra ser contada em primeira pessoa e tals

flw Very Happy

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#4 Re: Abnegation of Desire em 24/9/2012, 3:48 pm

konor

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bom vai dificultar a avaliaçao apartir de hj lerei 3 vezes procurando eros ao invez de avaliar na 1 leitura mais no momento ganhou um A.
" O.O diga o segredo do seus roteiros"


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#5 Re: Abnegation of Desire em 24/9/2012, 4:00 pm

GPimpão

Usuário Nível 4
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Não pude deixar de comentar: muito bom! Adorei. Estou curiosa para saber sobre o que se trata e ansiosa pelo próximo capítulo.

;)

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#6 Re: Abnegation of Desire em 24/9/2012, 8:26 pm

Dariks

Usuário Nível 6
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Vlw pessoal

O.O agora q eu vi que tava faltando um pedação do roteiro, tava só a té a pagina 11, ai eu editei e pus o capítulo todo... se puder por a avaliação de novo...

flw

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#7 Re: Abnegation of Desire em 24/9/2012, 10:34 pm

GPimpão

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Continua ótimo... Mas, primeiramente você diz "Sr. Eduard". Quando vai se referir a ele de novo, vc fala "Sr. Bernard".

“Esse é o meu ‘vizinho direito’, Sr. Eduard.
[...]
- Uhm... Deve ser o tal pacote ao qual o Sr. Bernard se referiu... –
pensa Adel – Mas ele disse que necessitava da minha assinatura...

Eu sei que não sou nada, só pra avisar isso aí mesmo... (corrije rápido antes que os avaliadores tirem notaa! SHUASHUA)

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#8 Re: Abnegation of Desire em 24/9/2012, 11:03 pm

konor

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haha dessa vez vai ganhar um B dariks Gabriela nos avaliadores temos que saber disso e.e se nao nao podemos ajudar,mais ainda bem que vc dissw eu acho que nem notaria
pulo mesmo dariks o capitulo 11 ralmente faltou uma parte entao dessa vez vai ser B mesmo cara.


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#9 Re: Abnegation of Desire em 25/9/2012, 12:07 pm

Raku Ichijou

Usuário Nível 7
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Animeslog, tente fazer uma avaliação mais ampla, diga os pontos fortes para que ele faça mais uso deles, e também dê as críticas, dicas e pontos negativos, senão o rendimento será baixo. Digo isso por experiência de avaliador e por ter meus textos avaliados.


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Dragon´s Chi[/b]
Warriers
[i][b]Summer Adventures ( Em Breve )
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#10 Re: Abnegation of Desire em 25/9/2012, 12:21 pm

konor

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ok e.e eu sou mais de dizer nota e esse tipo de coisa mais ainda sou meio mal em avaliar mas tudo ok vou dificultar agora e vo postar os pontos fortes


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#11 Re: Abnegation of Desire em 25/9/2012, 12:25 pm

Dariks

Usuário Nível 6
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lol vlw msm assim

Nossa, vlw por avisar, nem tinha percebido o.o (conta pra ninguém não mas eu ainda não revisei esse roteiro)

Mas agora nem dá pra endireitar, pq já deram a nota...

Depois ei posto o capítulo 2 Very Happy

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#12 Re: Abnegation of Desire em 2/10/2012, 11:43 am

Duuhur'D

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Eu ainda não li . Quando tiver tempo vou ler e expressar minha opnião Smile

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#13 Re: Abnegation of Desire em 2/10/2012, 7:15 pm

Dariks

Usuário Nível 6
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Pessoal, ae o cap 2, se tiver algo de arredo podem avisar Very Happy

Track Two:
Página 1

Os dois, Leda e Adel estão a se encarar.

- “Abnegação do Desejo”...? Esse nome me dá certo pavor – diz Adel se levantando e rindo um pouco.
- E o que vais fazer? Desistir? – diz Leda rindo maldosamente.
- Não – Adel olha sério para Leda, que o assusta – Agora que iniciei irei até o final, não importando quais consequências terei de enfrentar. Não posso voltar a ser um acomodado.
- *Gut, gut... – diz Leda batendo palmas (* “Bom” em alemão) – Parece que vemos uma ambição aqui...
- Eu quero uma casa nova. – diz Adel repentinamente
- Hã?!

Página 2

- Ficou surdo? Eu disse que quero uma casa nova, completa, com toda a mobília nova também... – continua Adel falando seriamente – Já estou cansado de esbarrar nos móveis e viver nesse cubículo... – flash de memória de Adel topando com o dedo no pé da mesa da cozinha - Me dê uma casa nova!
- Esse é seu segundo pedido? – pergunta Leda
- Sim – diz Adel suando tensamente...
- Então será feito...

Adel pisca os olhos, naquele fechar e logo abrir de olhos, Leda já traja outra coisa. Agora é um daqueles bonés só com a aba, uma blusa polo branca, e um colete amarelo claro, com um short curto e branco.
Adel olha para os lados e vê que nada mudou.

- Cadê a mudança? E quê roupa é esta? – pergunta Adel um pouco mais calmo

Página 3

- É minha roupa de tenista de mesa – diz Leda
- Aha, e onde está a raq... – ia dizendo Adel.

No tal ato natural de piscar os olhos, quando ele volta da escuridão, vê que Leda está jogando tênis de mesa, sozinho. Um dos lados da mesa estava suspenso e Leda batia e rebatia a bola contra aquele lado.

- O que ia dizendo? – diz Leda.
- É... Digo... – sacode a cabeça Adel, em um ato tentativa de ignorar o ocorrido – Não sei se você ouviu o meu pedido direito, mas eu pedi uma casa nova, sabe grande e mobílias novas também?
- Calma.
- Hã?
- Tudo há seu tempo
-... Eu vou dormir...
- *Ja – diz Leda (*Quer dizer “Sim” em alemão)

Adel olha meio hesitante para Leda que nem se quer tira os olhos da Bolilha, que se move em uma velocidade sobrenatural.

- Ja... – diz ele demonstrando sua hesitação.

Adel desliga a luz.

Página 4

Toca o despertador. Adel se levanta sem nem mesmo hesitar.

- Parece que sua capacidade de realizar desejos está um tanto falha, não? – diz ele olhando para os lados e vendo que nada mudou.
- Se você diz... – diz Leda ainda jogando tênis de mesa, ele está concentrado e sério em sua ação.
-... – Adel demonstra desconfiança. – Eu já vou indo...

Nada responde Leda...
Adel sai pela porta e a tranca.
Ele sai de sua casa, travessa a varanda e chega ao quintal, quando percebe algo.

- Ué... Grama verde no meu quintal? E cadê a cerca da Senhora Bruehl?

Página 5

Quando Adel se vira novamente pra sua casa, vê um casarão. Era do tamanho da casa dele mais a casa da sua vizinha.

- Ah... - Adel fica muito surpreso. – Então aconteceu mesmo?!
- Garoto! – diz alguém

Adel olha e é seu vizinho, Sr. Bernard.

- Sim? – diz Adel
- Aqui, o jornaleiro errou o quintal e jogou seu jornal aqui... – diz ele entregando jornal
- Ah... Obrigado... – diz Adel pegando-o – Aliás... O que houve com a Senhora Bruehl e sua casa?

Página 6

- “Senhora” o quê?! – pergunta Eduard com desentendimento.
- Bruehl... Sabe, a velhinha que... Não vai me dizer que... – diz Adel compreendendo a situação e começando a se apavorar.
- Garoto, você se drogou ou algo assim?! – diz o Sr. Eduard bastante nervoso. – Não me venha com essas histórias de Bruehl, não!
- Dessa vez quem deixou de existir foi... A senhora Bruehl...? – diz Adel em choque, sem ouvir uma única palavra proclamada pelo Sr. Eduard.
- E não venha me oferecer essas coisas pro meu filho não, que eu te mato, ouviu moleque?!
- Sim... Sim... Já vou indo – diz Adel ainda em choque e saindo pelo portão
- Ora essa agora... – diz Eduard voltando pra dentro de casa.

Página 7

Adel está em frente ao computador, entre as 3 paredes da cabine onde ele trabalha na empresa.

- Então dessa vez foi a Senhora Bruehl... – pensa ele com uma expressão de pena – Ela não merecia...

Ele é interrompido em seus pensamentos, por seu amigo Erich.

- Cara, o que houve ontem que você saiu sem mais nem menos? – pergunta Erich preocupado
- AH, é que eu comecei a me sentir mal... Deve ser o calor que faz aqui dentro... he hehe – diz Adel tentando dar uma desculpa
- Uhm... Ok... Qualquer coisa pode falar, hein. Sou ser parceiro, pode contar comigo... – diz Erich
- Claro, eu sei – diz Adel.

Eles batem punho com punho em um tipo de cumprimento humano.

Página 8

Adel olha para o relógio redondo e de ponteiros preso em seu pulso...

- Já é hora de ir... – ele olha para a mesa – Fiz quase nada hoje... É impressão minha ou o tempo em passado mais rápido? – pensa ele consigo.
Adel desce a rua em direção a sua casa, olhando céu.

- Será que o que estou fazendo é realmente certo? Acho que eu deveria parar por aqui... – pensa alto ele – O que estou dizendo?! Eu vou com isso até o fim! – diz ele dando pequenos tapas no rosto em um ato despertador - Até o fim! – grita ele e as três únicas pessoas na rua o olham.

Adel entra no portão do quintal de casa e vê seu mais novo casarão.
Ele sorri. Então olha para o lado.

Página 9

Em sua cabeça ele vê a imagem da Senhora Bruehl sorrindo.
Ele entra correndo dentro e casa.
Tranca a porta e desliza até o chão recostado nela.
Encolhe as pernas, as abraça enfiando a cabeça entre elas.

- Ele foi a única pessoa que sorriu de verdade para mim – diz ele com a voz alterada enquanto seus olhos expulsão gotas salgadas até o chão. – E eu... eu...

Ele tira a cabeça dentre as perna e olha para frente.

- Matei ela!! – grita ele chorando

A voz dele ecoa por toda a casa.

- Ela já teria perguntado o que estava havendo por causa do meu grito... – diz ele se levantando, chorando e sorrindo ao mesmo tempo... – Agora ela nunca mais vai voltar... Deixou de existir... – diz ele rindo desanimado - Está na hora de parar com isso – diz limpando o rosto com a manga da blusa.

Página 10

A sala é ampla, com uma escada no centro, subindo ao terceiro andar. O chão é todo revestido por um carpete cor de vinho, mas um pouco mais escuro.
Adel começa a subir as escadas se apoiando no corrimão, sem prestar muito atenção nas mudanças da casa.

- O que devo fazer com o espelho?... – pensa ele – Talvez vendê-lo...

Ele chega lá em cima, o segundo andar é formado por um longo corredor com algumas portas.

- Seria engraçada a reação da pessoa quando visse seu reflexo falando com ela – diz ele a si mesmo enquanto anda distraído e sorrindo – Talvez essa pessoa possa tirar melhor proveito do espelho que eu...
Ele chega a uma porta que fica mais ou menos no mesmo lugar que era a porta do quanto dele na sua antiga casa. Segura a maçaneta e a abre.

Página 11

A porta era de um banheiro. Então ele cai em si.

- Meu pedido foi realizado... – diz ele com os olhos arregalados – A minha casa agora... É essa... – ele começa a sorrir e vai fechando a porta lentamente.

Ele começa a andar pelo corredor abrindo as portas.

- O que deu em mim? Eu não posso parar agora... Mesmo que eu tenha matado, se é que posso dizer isso, senhora Bruehl, não posso parar de jeito nenhum... Teria sido tudo em vão... Não vou fazer o mesmo e voltar a desperdiçar minha vida... Não... Eu vou até o fim – diz ele sozinho enquanto vai de porta em porta.

Até que encontra seu quarto.

- Leda! Eu quero fazer meu próximo pedido... – entra ele no quarto ignorando a diferença entre o antes e o depois.

Leda estava a quicar a bola na raquete. Como se tivesse fazendo embaixadinha, mas usando a raquete.

- Mas já? Agora a pouco estava chorando e lamentando pela existência destruída de sua vizinha esquerda... Que houve para que acontecesse tal mudança?
- Eu não posso abalar-me por apenas uma pessoa, se eu parar agora não vai ter sentido nenhum. E além do mais... Olhe isso, se olhar bem, a abnegação foi tão ruim quanto o desejo foi bom, isso os anula.
- Ham.
- “Ham” o quê?! Agora eu tenho uma casa boa, não posso me preocupar com nada, se ela tivesse aqui ainda eu estaria vivendo naquele cubículo e nada teria mudado...

Página 12

- Vejo um traço de egoísmo ai, não? – diz Leda parando o trajeto da bolinha com uma das mão e olhando com um sorriso sarcástico, que ele não dava há tempos, para Adel.

Adel toma um choque, mas se recupera rapidamente.

- Você devia calar a boca e ouvir meu pedido... – diz Adel.
- Ja, Ja – responde Leda

Eles se encaram por alguns segundos, e só o barulho do vendo balançando as janelas folgadas, dava para se ouvir.

Página 13

- Eu quero um emprego... – diz Adel

Tem-se 1 segundo de silêncio

- O emprego dos meus sonhos, o que eu planejei na minha adolescência e depois de que eu conheci a vida deixei de lado e vivi a realidade... – prossegue ele – Foi umas das maiores burrices da minha vida, são os sonhos que movem a realidade... Se eu tivesse percebido isso antes não teria me tornado o fraco que sou hoje...
- Um emprego? – pergunta Leda, sério
- Sim – diz Adel igualmente sério
- Cara, eu achei que dessa vez você ia pedir uma mulher – diz Leda rindo
- Não, eu deixei pro próximo – ri também Adel
- Emprego dos sonhos hein... Você só pensa em você mesmo né? Ahahaha – diz Leda cruzando os braços ainda segundo a bolinha e a raquete.
- Cala a boca e realiza o desejo!... – grita ele – Quem será a pessoa a deixar de existir desta vez... Tomara que seja o Sr. Eduard... – pensa ele.

Página 14

Como sempre, os milésimos do bater de pálpebras de Adel, foi tempo o suficiente para que Leda já estivesse com uma roupa diferente e branca.

- Smoking? – diz Adel olhando-o de cima a baixo
- É, eu sei... Eu fico charmoso de Smoking – diz Leda endireitando a gravata.
- Fica mesmo... – diz Adel – Quanto tempo vai demorar pra ser realizado o meu pedido?
- Você devia olhar ao seu redor antes de fazer qualquer pergunta...
- Ok...

Adel olha ao redor e nota. Nota a mesa de arquitetura que antes não estava ali.

Página 15

- Eu não acredito... – os olhos de Adel se enchem de lágrimas – Foi realizado...

Adel anda até a mesa.

- Tudo o que eu sempre sonhei... – diz ele emocionado.

Nota alguns cartões em cima de uma prateleira. Ele pega um dos cartões.

- Eu realmente sou arquiteto agora... Eu... – o cartão era um cartão de contato dele profissional, umas lágrimas descem dos olhos deles – Com certeza... – ele limpa as lágrimas – Com certeza, esse espelho é a melhor coisa que aconteceu na minha vida...

Ele põe o cartão sobre os outros novamente.

- Eu estou trabalhando em um projeto agora... – ele diz passando a mão sobre os papéis sobre a mesa – Isso me deixa realmente feliz...

Ele sorria.

- Ah! – diz ele parecendo se lembrar de algo.

Página 16

- Tenho que ligar pro Erich, agora que a gente não trabalha mais juntos... – pensa ele pegando o celular.

Digita os números velozmente devido a prática.

- Se eu tivesse mais pedidos, pediria um celular novo... – pensa ele enquanto digita.

Ele espera até que o celular seja atendido.

- Alô? – diz Erich do outro lado da linha
- Oi, Erich, sou eu... Adel... – diz Adel
- Ah, oi Adel... Houve alguma coisa?
- Não... É que depois que eu mudei de emprego nós devemos atar nos falando pouco, presumo...
- Sim, é verdade...
-... É... Como vai? Esposa tá bem, e a filhinha, a Emma?
- Hã?
- Perguntei se sua filha, você... Estão bens...

Página 17

- Eu estou bem... Mas filha?
- É a Emma...
- Que Emma? Eu não tenho filhos! E se tivesse eu não poria esse nome estranho...
Adel fica assustado.
- A Emma... Foi ela quem desapareceu dessa vez... – pensa ele
- Alô? Tá ai ainda? – diz Erich ao telefone
- Ah, sim... – responde Adel
- Tem certeza de que tá tudo bem?
- Tá, tá sim...
- Que história é essa de filho, cara?
- Ah, é que já se pode dizer que você é pai, não é? Sua esposa já está próxima a dar a luz... Como vai a Vivien e o bebê que ela carrega na barriga? – tenta contornar a situação, Adel.
- Vivien?

Página 18

- Sim. Como vai sua esposa...
- Cara você está louco?
- Hã? – não entende Adel
- Eu nunca me casei!

Adel fica em choque, seus olhos arregalam e fixam em um ponto invisível.

Página 19

O celular se solta de sua mão e se choca com o chão e Adel continua da mesma forma.
Adel vai virando sua cabeça lentamente ainda em choque até direcionar sua visão para Leda.
Leda está em pé com as mãos no bolso e sua cabeça levemente inclinada para baixo.

Página 20

Leda expressa um sorriso estranhamente maldoso enquanto olha para a face de Adel que está apavorada...

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#14 Re: Abnegation of Desire em 2/10/2012, 7:25 pm

GPimpão

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NÃAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAO a menininha nãaaaao

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#15 Re: Abnegation of Desire em 26/12/2012, 1:22 pm

Dariks

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E depois de anos... Mais um capítulo...

Track Three:

Track Three: …Verzicht



Página 1

Leda, dentro de seu espelho, expressa um sorriso assustadoramente sombrio.
Adel continua apavorado.
Erich chama Adel pelo celular caído ao chão.

Página 2

- O que você fez...? – pergunta Adel com seus olhos arregalados.
- Eu fiz nada... É só o “ônus do bônus”, se é que me entende. Apenas a Abnegação do Desejo – diz Leda com o mesmo sorriso.
- Mas as abnegações eram para me prejudicar e não prejudicar os outros...! – grita Adel.

Página 3

- Não sou eu que faço as regras...
Adel o olha ainda mais assustado. Ele se recosta em uma das paredes.
- Justamente com o Erich?!... – diz Adel pondo as mãos na cabeça e deslizando os pés enquanto se apoiando na parece, assim descendo lentamente até sentar-se ao chão – A família era o que ele tinha de mais importante... Você tirou o sonho dele, tirou a vida... Isso não é justo... E eu sou o culpado disso... Tudo por um emprego melhor... Eu... – sua voz ecoa trêmula
Adel já está sentado no chão, com a cabeça entre as mãos, suas lágrimas descem descontroladamente. Seus joelhos se flexionam tensamente.
- Vais desistir? – diz Leda
-... – Adel responde nada
- Te restam 2 desejos ainda, desejas desistir agora...? – insiste Leda, na pergunta

Página 4

- Eu sei, tá?! – grita Adel enquanto chora – Eu sei... – diz ele mais baixo
Os olhos dele estão apertados e cobertos por lágrimas. Mas repentinamente se abrem, arregalam-se. Um sorriso ilumina seu rosto.
- Já sei... – diz ele baixinho – Já sei! – agora ele grita.
Adel ressurge em um ato próprio da fênix...
- Já sei! – repete ele pela terceira vez.
Leda o olha confuso.
- Eu já sei meu próximo desejo! – grita Adel
O reflexo de um relâmpago invade o quarto pela janela.
- Uma mulher? – pergunta Leda em uma tentativa de acertar o 4º pedido, que Adel fará.
Adel tem um sorriso gigante estampado no rosto.
...

Página 5

Em uma loja de conveniências... Perto dali, um tempo depois de Adel fazer seu 4º pedido à Leda.
- Só essas maçãs, senhor? – pergunta a moça que estava no caixa.
- Sim – Adel responde entregando a quantia em dinheiro a ela.
Adel, carregando a sacola, se dirige a porta do estabelecimento para sair.
- Olha! Parece que a chuva parou! – diz ele olhando para trás novamente e sorrindo para moça do caixa.
Quando ele volta a andar esbarra em uma moça, um pouco mais baixa que ele, ruiva, que trazia um cachecol verde lima enrolado ao pescoço. E também trajava uma blusa de lã.
Com o esbarrão, os papéis que a moça carregava foram todos ao chão.
- Ah me desculpa! – diz Adel
- Não, sem problemas... – diz a moça
Ambos se abaixam e começam juntar os papéis.
As mãos deles se tocam.

Página 6

- Ah, meu nome é Adel... – diz ele entregando alguns papéis a ela.
- E o meu é Apolline. – diz ele ficando um tanto vermelha.
Eles se apertam as mãos.
Encaram-se mutuamente.
Mostra-se o céu, negro, agora com poucas nuvens e uma lua minguante. Era possível também distinguir algumas constelações.
Adel está chegando em casa, abre o portão.
Enquanto caminha pelo seu quintal, enfia a mão no bolso e tira um papelzinho.

Página 7

No papel têm um telefone anotado à caneta.
- Isso tudo aconteceu tão estranhamente... – pensa ele alto – Nos encontramos por acaso, como algo do destino, conversamos por umas horinhas, ela acabou de terminar a faculdade e está prestes a ser aceita em uma das maiores empresas do país, com certeza... Levei-a em casa e ela me deu seu telefone, algo assim nunca aconteceu comigo antes. – As imagens do que acontecera vão passando pela cabeça dele – Tudo aconteceu como se fosse algo fictício, como naqueles filmes mentirosos de romance... Mas de qualquer forma me deixou feliz como nunca...
Ele guarda o papelzinho no bolso novamente. Olha para cima.
- Tudo aconteceu como se... – sua expressão leve de felicidade se converte em espanto – A não ser que...!
Adel corre até em casa, sobe as escadas e vai diretamente ao seu quarto.

Página 8

Ele entra no quarto e larga a sacola de maçãs no chão. E de frente para o espelho berra:
- Não me diga que você errou o desejo! Eu disse em voz alta e clara que meu 4º desejo era...

[INÍCIO/ Flashback]

- Uma esposa – diz Adel – Meu quarto desejo é uma esposa!
- Então acertei?! – diz Leda com expressão de satisfação
- Espere, mas a esposa não é para mim.
- Hã?- Leda parece não entender – Ich verstehe nicht* – (* “Eu não entendi” em alemão)

Página 9

- Eu quero uma esposa para o Erich!
-... – Leda depois de entender parece sério
- Ja, ja... Tem certeza disto?
- Sim – diz Adel convicto
- Gut, gut... Então vamos lá!
Serei curto em minhas palavras: Adel piscou seus olhos. Quando olhou Leda ele estava vestido como um super herói.
- Já não me assusto com suas fantasias... – diz Adel
- Aff, assim não tem graça... – diz Leda decepcionado

Página 10

Adel se senta na cama.
- Você parece tranquilo – diz Leda
- Eu só fiz uma observação. As abnegações são equivalentes aos desejos, certo?
- Sim.
- E o ultimo desejo demorou certo tempo para se manifestar... Além de que a abnegação não me atingiu, e sim a meu único amigo, causando assim maior impacto que das outras vezes...
- Vá direto ao ponto. – Leda parece sério
- Então, o que quero dizer é: Não tem outra abnegação que possa e prejudicar mais que essa última, e também não vai ser o Erich a desaparecer, pois ele precisa estar vivo para ter a esposa... E eu deduzi que você demorou certo tempo para achar uma abnegação a altura do meu desejo, por isso demorou mais que instantes para realiza-lo da última vez...
-...
- Estou curioso para saber o que você vai fazer desta vez... Leda. – diz Adel em um tom ameaçador

Página 11

Leda continua sério.
Adel se levanta e se dirige a um pequeno frigobar que se localizava no mesmo quarto.
- Por enquanto vou apreciar umas maçãs... – diz ele a caminho
Quando abre o frigobar, olha e diz:
- Droga! Acabaram as maçãs... – ele fecha a portinha e pega um casaco – Não saia daí; vou comprar mais - diz em um tom sarcástico e desafiador.
E sai pela porta.
[FIM/ Flashback]

- Não me diga que você errou na hora que conceder o desejo?! – grita Adel
- Calmo, caro... – diz ele com o sorriso sarcástico de volta no rosto – Eu não erro...
- Então... – diz ele olhando assustado para Leda – Não me diga que a abnegação é essa? Conceder o desejo de forma errada.
- Não seja burro! Assim eu não concederia o desejo...

Página 12

- Então quer dizer que a Apolline...
- Apolline?
- Esse tipo de coisa acontece mesmo na vida real?... Que louco... Eu... Eu...
Adel cai de joelhos no chão
- Estou tão feliz!! – grita ele olhando para o teto e chorando e de felicidade – Essa é a única coisa 99,9% boa que aconteceu na minha vida!! E sem intervenção minha... – ele se recompõe – Agora as coisas vão dar realmente certo... – diz ele com um sorrisinho, e Leda ri junto.
Ele se levanta.
- Já me decidi. Não vou fazer meu ultimo pedido. Não posso correr o risco de perder tudo. – diz ele olhando para Leda
- Faça como quiser
- Sim... – eles se encaram por uns segundos – Ah, vou ligar para o Erich pra saber como ele está.
Adel pega o celular.


Página 13

Disca o número.
- Alô? – diz Erich
- Erich? Sou eu, Adel!
- Oi, Adel, quanto tempo amigo, não nos falamos desde que você mudou de emprego hein! Como vai a vida?
- Vou bem! E a esposa? – diz Adel – Parece que ele não se lembra da nossa conversa há algumas horas – pensa Adel
- Ah, vai bem! Está grávida!
- Ótimo! – diz Adel com um sorriso – Então deu certo... – pensa
- Só não sei se dessa vez vai para frente... Já é a 5ª tentativa...
- Ah... Sinto muito... Mas têm que ter esperanças de que vai vingar!

Página 14

- Claro... Obrigado pela força...
-...
-...
- Então eu já vou indo... Tenho uns trabalhos para fazer e... Tchau.
- É, eu também... Tchau, Adel!
Adel desliga o telefone e o põe sobre uma estante.
- Erich está de volta... No final deu tudo certo mesmo...
- Sim... – diz Leda
- Vou dormir então, porque já é tarde... – diz Adel se deitando na cama – Agora sim as coisas estão certas... O que eu estou sentindo... Acho que isso é felicidade. – Adel diz com um sorriso alegre no rosto.
Ele apaga a luz.

Página 15

O despertador toca: 09:00.
- Uah – diz Adel se levantando e espreguiçando-se – Não ter que acordar muito cedo é tão bom...!
Adel faz o que tem de fazer de manhã e logo se senta a sua mesa para começar a trabalhar, em seu quarto.
Risca algumas linhas, se apoiando na régua, no papel. Então para, pensa um pouco. Ele vê seu celular em cima de um armário, e ao lado do celular tinha um papel.
- Apolline!! – diz ele subitamente, se lembrando da moça – Como fui esquecer-me dela?!

Página 16

Ele se levanta e pega o tal papel e o celular. Disca o número que fora escrito ali.
“tu... tu... tu...” é o único som que o celular faz.
- Ué... Ela não atende – pensa consigo ele.
Adel disca novamente.
“tu... tu... tu...” se ouve mais uma vez.
Adel guarda o celular dentro do bolso.
- Uhm... Talvez seja melhor eu ir a casa dela, não posso perder essa chance...
Adel pega as chaves de casa, desce as escadas. Tranca e verifica se trancou a porta.
Ele anda em direção à casa da tal moça, que não fica muitos a quarteirões dali.
- Uhm... O que eu vou falar para ela quando chegar lá?... – pensa ele consigo – Ah! Talvez eu devesse comprar flores...

Página 17

Adel para em uma floricultura no caminho.
Paga ao floricultor e sai com rosas e tulipas formando um buquê.
- Tomara que a agrade – pensa alto ele enquanto sente o aroma das flores.
Adel anda mais alguns minutos e chega ao local de destino.
Ele para e olha com os olhos arregalados para frente. Deixa o buquê cair no chão. Seu rosto foi tomado por pavor.
No lugar da casa da moça... Existia... Algo... E esse algo... Era... Nada.
Onde antes, Adel levara a moça em casa, agora, existe apenas um espaço. Um terreno plano e vazio.
Adel, sem hesitar correu desesperado para casa. Seu rosto estava assustado, mas ele não chorava.

Página 18

Ele corria desesperadamente.
- Maldito! Agora que eu achei que minha vida estava estabilizada... Eu estava feliz... E também Apolline estava feliz, tinha se ingressado em uma vida melhor agora... Não é justo ela desaparecer... Maldito Leda! – diz ele em pensamento – Talvez ele tenha possibilitado eu ter chances com ela, para que assim pudesse aplicar a abnegação... Maldito!
Adel chega em casa se dirigindo diretamente para o quarto.
Ele chega e se apoia na parede com um dos braços, e fica de cabeça baixa.
- Uhm... – Leda olha para ele – Vejo que já viu sua abnegação...
Adel fica em silêncio.
- Não vai chorar como das outras vezes?... Não lhe reconheço – diz Leda sarcasticamente - Faz isso não, seja você mesmo, sua mãe não lhe ensinou?
Adel avança para cima do espelho, e pegando-o com as duas mãos, o ergue.

Página 19

- Desgraçado!! – grita Adel – Você acabou de destruir minha vida! – lágrimas começam a ser criadas dos olhos de Adel, e seu rosto expressa imensa fúria.
- Uhm, agora sim! Esse é o Adel que eu conheço! – diz Leda com um tom irônico
- Ahh, eu vou te matar!! – grita Adel nervoso
- É? E o que vai fazer? Quebrar o espelho? Você tem seu ultimo pedido, quebrar o espelho agora é desperdiça-lo e fazer de tudo algo em vão...
Adel para com seus olhos arregalados. Abaixa o espelho e o põe no lugar.
- Legal... Amansei a fera – diz Leda suspirando.
- Sim... – Leda olha para Adel que mantem seus olhos arregalados, mas agora se pode ver um sorriso no rosto – Sim... Eu não vou desistir... Eu disse que não iria desistir...

Página 20

- Gut, gut... – diz Leda – Se recuperou como das outras vezes...
- Eu já sei! Não vou parar agora... Eu já decidi o que vou pedir!
- Aha... O que vai ser agora no seu ultimo pedido? Um carro?
- Não... Muito melhor...
- Então diga o que é...
- Meu último pedido é... – diz Adel baixinho
- ? – Leda não entende o que ele disse – Diga mais alto, não entedi...

Página 21

- Meu ultimo pedido é que os que deixaram de existir voltem a existir como antes de eu encontrar o espelho...! – grita Adel
-?! – se assusta Leda
- Assim, tudo voltará como antes... Minha vida era ruim, mas agora, sem essas simples pessoas ela faz ainda menos sentido... Eu quero que elas voltem...
-... – Leda encara seriamente Leda
-... Que foi? Não pode concedê-lo?
Eles se encaram por alguns minutos... Não segundos, mas sim minutos...

Página 22

- Gut! Se queres... Este será concedido... Seu último pedido... Que eles existam...
- Sim...
- Então lá vai! – grita Leda abrindo os braços – Aqui chega o limite! Seu último pedido e o maior deles!
Mostra-se a visão panorâmica do quarto.
Agora o rosto suado e assustado de Adel.
Ele inspira, fecha os olhos e expira.

Página 23

“Sabe? O piscar de olhos, leva menos que 1 segundo, leva apenas alguns centésimos dele. A vida de Adel mudou de forma brusca em apenas instantes. Instantes equivalentes a um piscar de olhos”.
A visão de Adel está tomada pela escuridão de fechar os olhos. Quando ele abre-os... Não... Ele não os abre. Adel desta vez fecha os olhos e não os abre.
Vê-se do lado de fora da casa de Adel... Não, no lugar da casa dele há nada. Entre a casa de Bernard e da Senhora Bruehl, que agora está de volta, há apenas um terreno vazio. Não existe mais casa, não existe mais Adel.

Página 24

Mas o terreno não está por completo vazio. Nele há um embrulho de dimensões aproximadamente 100 cm x 70 cm.
Em cima tinha um bilhete, que em letras douradas estava escrito:
“Espero que goste”.



Spoiler:



FIM.


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#16 Re: Abnegation of Desire em 26/12/2012, 2:52 pm

konor

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Brilho gostei de todo o seu roteiro,menos a parte do "Fim"


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#17 Re: Abnegation of Desire em 26/12/2012, 5:03 pm

Dariks

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Brilho vlw cara

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